Feridas
de Jesus
Eis
um livro interessante, porque, escrito por um médico profundo
conhecedor do assunto, procura descrever com grande realismo como se
originaram e configuraram as chagas do Senhor Jesus.
A leitura de tais páginas ajuda a compreender a Paixão
de Cristo e, principalmente, o imenso amor que levou o Salvador a padecer
os episódios da sua Paixão. A oração inspira-se
facilmente nas descrições que o autor apresenta ao público.
Todavia
o leitor cristão não se deterá apenas na consideração
realista das chagas de Jesus. Elas têm um significado profundo.
Com efeito, implicam novo sentido para o sofrimento humano; este é
transfigurado pelos sofrimentos de Cristo. Assim é que, no Apocalipse,
São João vê "um Cordeiro de pé, como
que imolado" (Ap 5,6): está de pé numa atitude de
vencedor, mas traz as chagas que o imolaram, chagas glorificadas, sinais
da vitória de Cristo. Tal imagem nos ensina a autêntica
maneira de considerar a Paixão de Cristo e as dores do cristão.
Estas são participação do paradoxal sofrimento
de Cristo: prostração e renúncia que são
vitória. Ciente disto, podia São Paulo dizer: "Completo
em minha carne o que falta à Paixão de Cristo, em favor
do seu Corpo, que é a Igreja" (C1 1,24). À Paixão
de Cristo não faltou mérito nem valor algum, mas faltou-lhe
a moldura ou o quadro que a vida de cada um de nós lhe oferece
aqui e agora. O cristão de certo modo prolonga a Paixão
do Senhor, como bem dizia Pascal: "Cristo estará em agonia
até o fim dos tempos". Assim, o cristão traz a sua
parcela da Paixão de Cristo, mas ele a traz numa atitude confiante,
sabedor de que, padecendo com Cristo, ele se dispõe a reinar
com Cristo (cf. 2Tm 2, 12).
Possam
tais idéias aflorar muito vivamente ao espírito dos leitores
desta bela obra e contribuir para que compreendam a glória da
Paixão de Cristo e a graça de padecer com Ele em colaboração
para a salvação do mundo!
Pe.
Estevão Betencourt O.S.B.
